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Texto de Bárbara Hartz, com colaboração de Janaína de Souza Leite

A Biomimética é uma ciência nova que poucos conhecem, mas têm sido progressivamente adotada nos últimos anos pelos meios inovadores. Embora seus princípios possam ter sido usados há várias décadas, consta que o termo foi citado pela primeira vez no livro “Biomimética: Inovação Inspirada pela Natureza”, escrito em 1997 por Janine Benyus. A autora e consultora é reconhecida mundialmente por promover a inteligência da natureza como fonte de inspiração e resposta às inovações sustentáveis que o mundo precisa para avançar de forma regenerativa no século 21.

A partir dessa nova ciência, multidisciplinar, que envolve entre outros a Biologia, Química, Física, Design, Matemática e Eletrônica, diversos grupos vêm se formando para estudá-la e extrair dela os melhores caminhos para o design industrial. “A Biomimética trata de valorizar a natureza pelo que podemos aprender, não pelo que podemos extrair, colher ou domesticar. Nesse processo, aprendemos sobre nós mesmos, nosso propósito e nossa conexão uns com os outros e com nosso lar na terra”, explica o Biomimicy Institute, dos EUA, criado em 2006 por Janine e Bryoni Schwan.

“A Biomimética é a emulação consciente da genialidade natural”, define com ainda mais precisão a designer de produtos, consultora de inovação e biomimeticista formada pela Universidade do Arizona Carol Freitas, que se incorpora na jornada de aprendizado dos seus adeptos e vem produzindo diversos trabalhos de expressão no Brasil. “A genialidade da natureza consegue colocar a sua engenhosidade tecnológica em prol de propósitos – de funções e de estratégias de sobrevivência”, observa ela.

As razões pelas quais a natureza obtém sucesso, nesses mais de 3,8 bilhões de anos de construção do que é a vida na Terra, tornaram a Biomimética uma verdadeira ferramenta de inovação para a criação de produtos eficientes e sustentáveis. Do aproveitamento do CO2 à coleta de energia solar, dessalinização, carros biônicos e chips já foram criados dentro dos seus conceitos. O Sebrae Minas contabiliza que as patentes e artigos científicos sobre o tema cresceram mais de cinco vezes desde o ano 2000.

A prática da Biomimética procura ser ajudada pela iniciativa do Ask Nature, site do qual Benyus participa da construção e que pretende ser uma espécie de biblioteca de padrões e estratégias biológicas para profissionais em busca de soluções para algum desafio.

“Colocamos a natureza como mentora, medida e inspiração para construir sistemas organizacionais inovadores e em muitos casos descentralizados”, acrescenta a designer industrial especializada em Design Thinking Manuela Macario. Ela afirma que o design atual “está olhando cada vez mais para uma forma sistêmica de entender as organizações, considerando o que gera valor para os seus consumidores bem como toda a cadeia de produção em que estão inseridas”.

“A grande descoberta do século 21 é entender como a natureza opera de forma interdependente, interconectada e com sintropia”, resume Carol, que já apoiou diversas instituições como facilitadora e palestrante, além de criar o Napkintalk, framework de mentoria, utilizado por mais de 1600 empreendedores e ofertado pela sua empresa, a Nous Comunicação Consciente.

Tanto Carol quanto Manuela, que faz parte do time de customer strategy da Deloitte para apoiar a transformação digital de grandes organizações com foco na experiência do ser humano (HX), foram escolhidas para comemorar junto com a ABRAPS o Dia Mundial da Criatividade e da Inovação, em 21 de abril deste ano. Criado pelo grupos de trabalho de Economia Circular e de Inovação da ABRAPS, com apoio da Unibes Cultural e da Comunidade da Inovação, o painel “Biomimética e as organizações inovadoras – Cultura Sustentável e de Impacto” está disponível no YouTube aos interessados em aprofundar esse tema relevante que poderá transformar as descobertas em todos os campos da inventividade humana.

Biomimética, uma nova e poderosa forma de inovar

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